Vida individual
O inventário trava tudo. O seguro de vida não entra nele.
O capital de um seguro de vida é pago direto ao beneficiário indicado, fora do inventário e sem partilha. É liquidez no pior momento: quando a família precisa pagar imposto de transmissão, custas e honorários, e manter as contas de pé enquanto o espólio não se resolve, o que leva meses ou anos. O que decide se a apólice cumpre o papel é o capital estar dimensionado pela necessidade da família, não pela sugestão da proposta, e o prêmio ser de um tipo que você consiga pagar aos setenta, não só aos quarenta.
Para quem é
- Quem sustenta a casa
- Profissional liberal com dependentes
- Sócio de empresa
- Quem tem patrimônio ilíquido
- Quem financiou o imóvel
- Quem saiu de um seguro coletivo
Depende de onde você está
O mesmo contrato pesa diferente conforme quem lê. Escolha o seu caso.
Para quem sustenta dependentes
Aqui o capital se dimensiona por substituição de renda: quanto a família precisa para não mudar de vida enquanto se reorganiza, mais o que ficar de dívida.
Capital pela necessidade, não pela proposta
A conta soma as dívidas a quitar, a renda a substituir por alguns anos e a educação dos filhos até se formarem. É esse número que define o capital, não o que couber no orçamento primeiro.
O seguro do financiamento é decrescente
O seguro embutido no financiamento imobiliário cobre só o saldo devedor e cai a cada parcela paga. Ele quita a casa, não substitui a renda. O individual entra por cima disso, não no lugar.
Invalidez também protege a renda
Morte não é o único evento que tira o sustento. Coberturas de invalidez por acidente e de incapacidade para o trabalho por doença protegem a mesma renda enquanto você está vivo e sem poder trabalhar.
Beneficiário é livre indicação
Não precisa ser herdeiro. Você indica quem quiser, no percentual que quiser, e revisa depois de casamento, divórcio ou filho novo. Sem indicação, a lei divide entre cônjuge e herdeiros, o que pode não ser o que você queria.
Menor de idade como beneficiário
É possível, mas o valor fica sob administração de um responsável legal até a maioridade. Vale pensar em quem seria esse administrador e deixar isso claro.
Prêmio que você pague aos setenta
Prêmio crescente é barato aos quarenta e caro aos setenta, e muita gente cancela justo quando mais precisaria. Prêmio nivelado custa mais no começo e é previsível para a vida toda. A escolha é sobre até quando você quer a cobertura.
Para quem tem patrimônio a transmitir
Aqui o capital se dimensiona pelo custo e pelo tempo de destravar o patrimônio: imposto, custas, e as contas que continuam correndo até o inventário fechar.
O seguro não entra no inventário
O capital vai direto ao beneficiário indicado, sem partilha e, na maioria dos estados, sem incidência do imposto de transmissão. É dinheiro disponível em dias, enquanto o resto do patrimônio fica travado por meses ou anos.
Liquidez para pagar o próprio inventário
Imposto de transmissão, custas e honorários somam uma fração relevante do espólio e são exigidos antes de a partilha sair. Sem caixa, a família vende bem às pressas e mal. O seguro é esse caixa.
Empresa e sociedade
Sócio que falece deixa a operação e os demais sócios expostos. O capital pode financiar a compra da participação pelos sócios remanescentes, num acordo definido em vida, sem a empresa se descapitalizar.
Patrimônio ilíquido
Quem tem o valor concentrado em imóveis e participações não tem como a família pagar contas com isso no curto prazo. O seguro converte parte desse patrimônio em liquidez no momento em que ela falta.
Beneficiários e percentuais
A indicação livre permite equilibrar o que a partilha vai dividir de forma rígida, ou destinar recursos a quem a lei não contempla. É instrumento de planejamento, e precisa ser revisado quando a família muda.
Capital determinado e prêmio nivelado
Para sucessão, o capital costuma ser fixo e o prêmio nivelado ou vitalício, porque o objetivo é a cobertura existir quando o evento acontecer, que tende a ser na idade avançada, não deixar de existir por ter ficado cara.
O que é
Seguro contratado pela própria pessoa, que paga um capital ao beneficiário indicado em caso de morte, e, conforme as coberturas, também em caso de invalidez ou doença grave. O capital não entra no inventário e vai direto a quem foi indicado.
Quem utiliza
Quem tem gente dependendo da sua renda, quem tem dívida que não quer deixar para a família, e quem tem patrimônio ilíquido ou empresa e precisa de liquidez para a sucessão. Também quem perdeu ou vai perder o seguro coletivo do trabalho.
Quando e onde usar
Ao assumir uma dívida grande, ao ter filhos, ao entrar numa sociedade, ao sair de um emprego com seguro coletivo. E quanto mais cedo, mais barato o prêmio e menor a chance de uma doença preexistente limitar a contratação.
O que muda em cada caso
Quem sustenta a casa
A renda de uma pessoa paga as contas de várias. O capital se mede pelo tempo que a família levaria para se reorganizar sem essa renda, somado ao que ficaria de dívida.
Profissional liberal com dependentes
Sem vínculo empregatício, não há seguro de vida da empresa por trás. Toda a proteção da renda depende do que a própria pessoa contratar, e a renda costuma ser mais alta e mais volátil.
Sócio de empresa
A morte de um sócio expõe a operação e os demais. O capital pode viabilizar a compra da participação pelos sócios remanescentes, num acordo firmado antes, sem descapitalizar a empresa.
Quem tem patrimônio ilíquido
Valor concentrado em imóveis e participações não paga contas no curto prazo. O seguro cria a liquidez que falta enquanto o inventário não se resolve.
Quem financiou o imóvel
O seguro do financiamento cobre só o saldo devedor e diminui a cada parcela. Não substitui a renda da família nem cobre as outras dívidas. O individual complementa por cima.
Quem saiu de um seguro coletivo
O seguro de vida em grupo da empresa acaba quando o vínculo acaba, e recomeçar mais velho custa mais. Contratar o individual antes de sair mantém a proteção sem depender do emprego.
Análise
O que a análise olha neste ramo
Os pontos verificados antes de qualquer recomendação, escritos no comparativo inclusive quando enfraquecem a opção mais barata.
- Dimensionamento do capital pela necessidade da família: dívidas a quitar, renda a substituir por um número de anos, custos de sucessão e educação dos filhos. Capital sugerido sem essa conta costuma ficar curto.
- Tipo de prêmio: nivelado, previsível para a vida toda, ou crescente por faixa etária, barato no início e caro na idade em que a cobertura mais importa.
- Coberturas além da morte: morte acidental, invalidez por acidente, incapacidade para o trabalho por doença, doenças graves. Cada uma protege um risco diferente da mesma renda.
- Indicação de beneficiários: percentuais, inclusão de menores e revisão após mudanças na família. Sem indicação, a divisão segue a regra legal entre cônjuge e herdeiros.
- Declaração de saúde: o que precisa ser informado e o efeito da omissão. Para capitais altos, exigência de exame ou questionário detalhado.
- Prazo e renovação: apólice temporária com prazo definido, renovável, ou vitalícia. E as regras de reajuste, por índice e por idade.
- Exclusões e agravamentos: atividades e esportes de risco a declarar, e a carência legal de dois anos para suicídio, além da qual a cobertura é integral.
Perguntas frequentes
Por que não deixar só o seguro do financiamento imobiliário?
Porque ele resolve uma coisa só: quita o saldo devedor da casa e diminui a cada parcela paga. Não substitui a renda que a família perde, não cobre as outras dívidas e não gera liquidez para a sucessão. É um piso para uma dívida específica, não a proteção da família.
O dinheiro do seguro entra no inventário?
Não. O capital segurado é pago direto ao beneficiário indicado, fora da partilha, e o Código Civil é expresso ao dizer que não se considera herança. Na maioria dos estados também não incide o imposto de transmissão sobre ele. É por isso que serve como liquidez enquanto o resto do patrimônio está travado.
Quem pode ser beneficiário?
Qualquer pessoa que você indicar, em qualquer percentual, herdeiro ou não. Se você não indicar ninguém, a lei divide o capital metade para o cônjuge e metade para os herdeiros. A indicação deve ser revista depois de casamento, divórcio, nascimento de filho ou qualquer mudança relevante na família.
Preciso fazer exame médico?
Depende do capital e da idade. Capitais menores costumam ser aceitos só com a declaração de saúde. Acima de certo valor, a seguradora pede questionário detalhado, exames ou perfil laboratorial. Em qualquer caso, a declaração precisa ser verdadeira: omitir doença preexistente pode custar a indenização.
O que é prêmio nivelado e prêmio crescente?
No prêmio crescente, o valor sobe a cada faixa etária, então é barato aos quarenta e pesado aos setenta, e é comum a pessoa cancelar justo na idade em que mais precisaria. No nivelado, o prêmio é calculado para se manter estável ao longo dos anos, custa mais no início e é previsível. A escolha depende de até quando você quer a cobertura de pé.
Suicídio é coberto?
Depois de dois anos de vigência, sim, integralmente, e qualquer cláusula que tente excluir é nula. Nos dois primeiros anos, não há pagamento do capital, apenas a devolução da reserva quando houver. É um prazo fixado em lei, igual em todas as seguradoras.
Já tenho seguro de vida pela empresa. Preciso de outro?
O seguro de vida em grupo da empresa acaba quando o vínculo acaba, por demissão, pedido de saída ou aposentadoria, e recontratar mais velho custa mais e pode esbarrar num problema de saúde que surgiu no meio. O individual é portátil: acompanha você independentemente do emprego. Vale ter a base individual e usar o coletivo como reforço.
Quanto de capital devo contratar?
Some o que ficaria de dívida, a renda anual da família multiplicada pelos anos que ela levaria para se reorganizar, o custo estimado de sucessão e a educação dos filhos até a formação. Esse é o alvo. A partir dele se ajusta ao orçamento, cobrindo primeiro o que é dívida e substituição de renda de curto prazo.
A leitura da estrutura vem primeiro.
Antes de falar deste ramo isolado, vale entender o conjunto: o que já está contratado, o que está descoberto e qual peça entra primeiro.